Resolução ANAC 400/2016 — assistência material obrigatória
Define a assistência material conforme o tempo de espera (art. 27). Espera superior a 2 horas: alimentação. Espera superior a 4 horas: hospedagem, quando houver necessidade de pernoite, e transporte de ida e volta (a hospedagem pode ser dispensada para quem reside na localidade do aeroporto de origem, garantido o transporte). A assistência de comunicação após 1 hora de espera (art. 27, I) foi revogada pela Resolução ANAC nº 813/2026, que entra em vigor em 26 de outubro de 2026; a partir daí vale o dever de informar o passageiro de forma clara, acessível e tão logo a companhia tenha conhecimento da ocorrência (art. 20). A mesma resolução deixa expresso que a assistência material não se confunde com o dever de reparação civil (art. 26, parágrafo único). Em atraso superior a 4 horas, cancelamento, interrupção do serviço ou preterição, a companhia deve oferecer reacomodação, reembolso ou execução do serviço por outra modalidade de transporte, à escolha do passageiro (art. 21).
Código de Defesa do Consumidor — responsabilidade civil
O art. 14 estabelece responsabilidade objetiva do fornecedor de serviços pelos danos causados, com ou sem culpa. O art. 27 fixa em 5 anos a prescrição da pretensão de reparação por fato do serviço. A Resolução ANAC 400 não substitui o CDC — é norma complementar que rege obrigações operacionais, enquanto o CDC rege a responsabilidade civil indenizatória.
STF — Tema 210 (RE 636.331/RJ)
Pela tese do Tema 210, as normas e os tratados internacionais limitadores da responsabilidade das transportadoras aéreas de passageiros, especialmente as Convenções de Varsóvia e Montreal, prevalecem sobre o CDC. Desde 2023, a própria tese traz a ressalva: “O presente entendimento não se aplica às hipóteses de danos extrapatrimoniais.”
STF — Tema 1.240 (RE 1.394.401)
Em repercussão geral, o STF fixou a tese: “Não se aplicam as Convenções de Varsóvia e Montreal às hipóteses de danos extrapatrimoniais decorrentes de contrato de transporte aéreo internacional.” Por isso, os limites de indenização do tratado não alcançam o dano moral em voos internacionais, que segue o CDC.